domingo, 2 de abril de 2017

Periodização: Linha do Tempo do Brasil colonial - Tempo-espaço parte 4





Abaixo está uma linha do tempo específica do Período Colonial












Extraído de http://hid0141.blogspot.com.br/2014/08/periodo-pre-colonial-no-brasil.html, em 2/4/17



Periodização História do Brasil - Sobre Tempo e Espaço - Parte 3




Continuando o papo sobre periodização, abaixo está uma linha do Tempo sobre a História do Brasil. É importante estudar as duas linhas do tempo para facilitar a localização espaço - temporal.



Extraído de http://leonidasfelipe.blogspot.com.br/2015/11/mapas-mentais-periodos-da-historia-do.html, em 2/4/17

A linha do tempo abaixo apresenta os eventos e períodos da História Geral e a do Brasil (sempre a partir de uma perspectiva europeia, como dito antes)


Extraído de http://www.geocities.ws/prof_adhemar/01hbr1.1a.html, em 2/4/17


Algumas orientações sobre se localizar no tempo e no espaço - Parte 2

Abaixo está uma linha do tempo de História Geral que pode ajudar vocês a se localizarem no tempo.

Ela foi tirada do slideshare. Não sei qual é o autor.

Ela está bem correta para os estudos.
























Extraído de https://www.resumoescolar.com.br/historia/divisao-dos-periodos-historicos-pre-historia-idade-antiga-media-moderna-e-contemporanea/, em 2/4/17

Algumas orientações sobre se localizar no tempo e no espaço - Parte 1

Alguns alunos me pediram algumas orientações no sentido de tentar se localizar no tempo histórico e no espaço. Ou melhor, identificar os acontecimentos que ocorrem ao mesmo tempo, tanto na História do Brasil, como na História Geral. Para isso, é necessário saber de alguns elementos do estudo de história e de temporalidade em História.

O que vou fazer aqui não é um ensaio acadêmico ou parecido porque não é o meu publico- alvo. Tratarei do assunto de forma didática, para que alunos do ensino médio possam esclarecer, ou ajudar a esclarecer, as dúvidas quanto a isso (por isso reducionismos didáticos poderão ser realizados).

Alguns conceitos ou abordagens importantes sobre a temporalidade

O Tempo é um dos principais, senão principal, elemento de estudo do historiador. Por ele tratar das sociedades do passado, ele tem que lidar com o tempo. Desse modo, ele instituiu o Tempo Histórico, que é aquele instrumento que vai permitir o estudo de história.

Dentro desse estudo sobre o tempo, existem diferentes abordagens que eu poderia citar aqui, mas, como estamos falando de História para alunos do ensino médio, trataremos do Tempo Histórico, a partir dos seguintes conceitos e ideias:
- O Tempo Histórico é diferente do Tempo Cronológico (que é o tempo medido pelo relógio, calendário etc.)
- Lidaremos com a Divisão Tradicional do Tempo Histórico, ou seja, aquela divisão de Períodos históricos a partir de uma linha do tempo. Essa divisão é questionada, mas é aquela mais trabalhada em sala de aula, porque é a mais rápida de ser apreendida pelos alunos.
- Nesta divisão tradicional, temos os seguintes períodos históricos:
* Pré- História: que começa na origem do Homem e termina no ano 4000 a. C. (data atribuída ao primeiro documento escrito)
* Idade Antiga: inicia no ano 4000 a. C. e termina no ano 476 (data da queda do Império Romano do Ocidente pelos bárbaros invasores)
* Idade Média: inicia no ano 476 e termina no ano 1453 (data da queda do Império Bizantino, com a tomada de Constantinopla pelos Turcos Otomanos)
Idade Moderna: inicia em 1453 e termina em 1789 com a Revolução Francesa
Idade Contemporânea: inicia em 1789 e chega aos dias atuais; é o período corrente

Percebemos por essa breve exposição que essa divisão é baseada na história européia, ou seja, desconsidera as etapas dos outros povos e culturas. Mais do que isso, essa divisão os incorpora a partir de um centro europeu de produção de História dominante, que absorve os demais povos para a sua própria História (como povos dominados ou periféricos.

A ideia contida nessa divisão é a de que os marcos históricos que separam os diferentes períodos indicam mudanças nas sociedades. Mudanças profundas, que determinam então a saída de um período histórico e a entrada em outro. Até o mais desatento percebe que aqui existem muitos problemas.... Mas vamos deixar esses problemas de lado e continuar.

- A divisão tradicional da História foi criada no século XIX. A partir do século XX, alguns historiadores aprofundaram os estudos sobre o tempo e trouxeram alguns conceitos que são importantes para a gente que está no Ensino Médio. São esses conceitos - e as suas aplicações nos conteúdos de História - que podem sanar as dúvidas dos alunos.
Os principais conceitos desses historiadores são: os eventos de longa duração, de média duração e os de curta duração.

A longa duração seria assim, o período mais lento, o período das estruturas, em que os aspectos sociais e econômicos mudam de forma mais lenta. A longa duração é aquela medida que as pessoas que vivem no período não sentem, e que por isso são estudadas pelo historiador, que vai dar nome a elas. Por exemplo: quando falamos sobre o "o Feudalismo". Esse foi um período longo, de mudanças lentas e que os seres humanos que viveram o período não sentiam essas mudanças e muito menos codificaram o momento de vida deles como feudal. Quem fez isso foi um historiador, muito tempo mais tarde.
O tempo de média duração é aquele que não é percebido tão prontamente (de imediato) pelas pessoas e que corresponde a um momento intermediário entre o tempo longo e o tempo curto. Quando percebido, é comentado pelos contemporâneos como períodos, momentos. É a conjuntura, como por exemplo, quando falamos sobre o período da Ditadura Militar no Brasil (1964-1985).

O de curta duração é o evento, ou seja, o próprio fato histórico.


A partir desses conhecimentos, temos que estar atentos ao conteúdo que o professor está abordando em sala de aula e perceber de qual estrutura o professor está falando. 

Mas o que é estrutura?
Para responder a pergunta, vou citar um trecho da Infopedia e traduzi-lo.
A estrutura pode ser tida pois como um sistema. Nas Ciências Históricas, a estrutura representa assim um complexo temporal espacial definido por vários séculos ou por durações cronológicas extensas, composta de conjunturas variáveis, com pontos de contacto entre si que fazem com que a estrutura seja um todo, mesmo que formado por contrastes ou continuidades.
(https://www.infopedia.pt/$estrutura-(historia), visto em 2/4/2017)
O trecho quer dizer o seguinte: 
- Estrutura é um sistema;
- Estrutura é um período longo de tempo (vários séculos ou qualquer duração longa)
- Dentro deste período longo, aparecem várias conjunturas, que são variáveis
- Essas conjunturas se conectam entre si, dando a ideia para essa realidade de tempo de algo coeso, dando uma ideia de totalidade.

Voltando ao exemplo do Feudalismo. Por que afirmar que a Europa dos séculos V- XV era feudal, se sabemos que as economias e as sociedades de Portugal, França, Inglaterra, Espanha etc. eram diferentes?
As respostas são muitas. Vou dar alguns exemplos somente.

Porque apesar de diferentes, tinham elementos que as constituíam iguais ou semelhantes:
o fato de um senhor feudal controlar os seus camponeses e de a economia (de todos os lugares da Europa deste período) ter sido rural e de subsistência por um bom tempo.
Pelo fato de o comércio ter voltado com maior força a partir do século XI,
Pelo fato de as classes dominantes destes lugares serem compostas por senhores de terras guerreiros
Pelo fato de a Igreja Católica exercer um forte poder político, cultural, religioso etc. entre outras coisas

Sendo assim, podemos dizer que entre os séculos V-XV a Europa passou por uma Estrutura calcada no Feudalismo

O termo possui mais significações, mas elas giram em torno dessa ideia central que apresentei aqui.

Para quem não sabe o que é Conjuntura
A Conjuntura é a palavra que está de acordo com as circunstâncias em que ocorre determinado fenômeno ou quando o fenômeno ocorre em determinado espaço de tempo.
Conjuntura é a situação. Esta pode acontecer ao mesmo tempo ou em uma sucessão do tempo.
Talvez aqui esteja parte da dúvida dos alunos.

Vamos resolver a conjuntura a partir de um exemplo da última aula do 3o ano do Intellectus Botafogo, no dia 30 de março de 2017.

A aula era sobre Invasões Holandesas. Qual seria a conjuntura, a situação, daquele momento para a História do Brasil e de Portugal? Vamos lá:
A resposta curta e grossa seria: a UNIÃO IBÉRICA!!!!
No entanto, História não é Física e por isso não há uma resposta simples que responda a todos os requisitos. Nós temos que levar em consideração os desdobramentos e os outros episódios que ocorrem SIMULTANEAMENTE a União Ibérica. Neste caso, temos que levar em conta a autonomia das Províncias Unidas dos Países Baixos, a inimizade entre Espanha e Holanda, as invasões no Nordeste brasileiro (com seus interesses, motivos, consequências etc), as invasões holandesas em Angola e em outras colônias portuguesas na África, as revoltas que sucederam após a saída de Nassau da administração....
Isso tudo faz parte de uma conjuntura em que a produção do açúcar brasileiro movia interesses não só de portugueses.

Para fechar essa parte: Essa conjuntura acima exposta está dentro de um contexto maior, de uma ESTRUTURA, ligada ao Capitalismo Comercial, ao processo de colonização e a Consolidação dos Estados Nacionais europeus como Estados Nacionais centralizados e capitalistas.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Jogo Timeline - 6o ano e 8o ano Colégio Santa Rosa de Lima - Botafogo

Aproveitando o final de ano e com muitos dos meus alunos do 6o ano do colégio já aprovados, resolvi, ou melhor, resolvemos, jogar este jogo que como o nome diz, trata de se construir através de cartas, uma linha do tempo.
Esta caixa do jogo possui somente cartas relacionadas a invenções da humanidade. São 110 cartas que começam na pré-história e terminam no tempo presente, passando desde a invenção do fogo até o século XX, com a invenção do avião (acredito que vá mais além, mas ainda não olhei todas as cartas devidamente).
Neste dia, o jogo se desenvolveu de forma livre, ou seja, não havia nenhum planejamento específico de aula. Os alunos estavam ali para conhecer o jogo, somente. No entanto, eu, que não joguei, fiquei na observação dos alunos à medida que o jogo ia se desenvolvendo. O meu objetivo era simplesmente colher o máximo de informações para se criar um trabalho mais específico na questão da temporalidade (inclusive ampliando questões que de longe passam no jogo e mesmo questionando a linearidade temporal que o jogo indica)  nos anos do ensino fundamental. Isto somente vai acontecer no ano que vem e com outras turmas.

O jogo: o timeline, que aqui no Brasil é vendido pela Galápagos, tem uma mecânica bem simples: os jogadores embaralham as cartas, distribuem de 4 a 6 delas para cada um, dependendo do número de jogadores com as datas das invenções viradas para mesa, de forma que eles não visualizem-na; uma carta do deck (montinho ou pilha de carta se preferir) é virada para cima. A partir dessa data (ou invenção), a linha do tempo vai sendo feita; os jogadores colocam as suas cartas viradas para baixo à esquerda da carta inicial, caso eles achem que a sua carta é anterior no tempo da carta inicial ou à direita, se achar que é posterior e assim sucessivamente. Caso o jogador erre a data, ele a devolve ao montinho e pega uma nova; caso acerte, a sua carta monta a linha e por aí vai. Ganha aquele que não tiver mais carta na mão.

No 8o ano a coisa se deu da mesma maneira. No entanto, as conclusões foram outras. E foi interessante perceber a "maturidade" na questão das escolhas e estratégias para se criar a linha do tempo. A questão da temporalidade (mesmo que ainda seja a linear) está muito mais clara nesses alunos,e os motivos para isso são vários: a idade e uma maior maturidade nas concepções de tempo em relação ao 6o ano, o contato com o estudo da história mais longo, por mais tempo (afinal, este é o terceiro ano deles no ensino fundamental), muitas invenções que aparecem na carta não são desconhecidas deles por causa de outras disciplinas, como a geografia, mas também filmes etc. No entanto, o que percebi mais claramente foi a manutenção da ideia de uma temporalidade linear e progressiva, ainda muito de acordo com aquilo que continua somente sendo estudado em sala de aula. Além disso, a própria proposta do jogo induz a se concluir  que o tempo de fato é linear e progressivo.

Mais análises serão feitas a partir daqui, assim como formas diferentes e mais abrangentes de se estudar a temporalidade serão desenvolvidas para serem trabalhadas em sala de aula.

Turma de 6o Ano do Colégio Santa Rosa de Lima - Botafogo



A turma de 8o ano do Colégio Santa Rosa de Lima - Botafogo




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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Primeiras Palavras

FINALMENTE!

Eu havia prometido a mim  mesmo que criaria um blog de história a um bom tempo, mas não tinha coragem de criá-lo. Os motivos são vários, mas o principal era a questão do tempo. Eu tinha (como ainda tenho) um grande medo de que o blog não sairia do jeito que gostaria porque isso é um tipo de coisa que demanda muito tempo de quem não tem (os professores sabem do que estou falando). Por isso demorou. Por que então ele está saindo agora? Parece que esta pergunta é complicada, mas na verdade não é. E o motivo é duplo: senti uma necessidade de criar este blog neste momento porque minha vida profissional está passando por algumas mudanças significativas, mudanças estas que vão deixar, de uma forma ou de outra, certa saudade. Em poucas palavras: achei que criar este blog poderia criar um vínculo mais duradouro com as pessoas (todas elas, mas especialmente os alunos) que conheço há muito tempo e que provavelmente não terei mais contato e não mais farei parte do caminho de conhecimento que eles continuarão seguindo. Isto porque o colégio que leciono há 11 anos vai fechar as portas no final de 2016. Daí pensei que havia a necessidade de se criar algo que eu, o corpo de funcionários do colégio, mas principalmente os alunos, pudessem continuar se vendo - ou melhor - se lendo. O tempo é curto, já que o ano letivo está acabando, mas há uma produção de conhecimento criada que queremos expor a todos e esta produção é o carro chefe do blog, o Glossário Histórico (o Glossário, é importante dizer, não será somente uma produção dos alunos deste colégio, mas sim uma produção coletiva dos alunos das escolas que continuo lecionando e que ainda vou lecionar). Esta foi a forma que encontrei para que conhecimento de história e produção de memória (a memória de que fez parte dessa história do colégio) se encontrassem num mesmo espaço. Isto ao mesmo tempo em que nós, de forma virtual, possamos continuar nos vendo (ou lendo) através dos comentários e posts que espero receber a partir de hoje!
O segundo motivo é puramente acadêmico. Neste caso, o objetivo do blog é discutir, através dos textos e das experiências, a ação de um profissional de história na educação fundamental e do ensino médio. Sendo assim, no blog existirão (pelo menos é o que espero) espaços para a produção de conhecimentos de todos os tipos, minha e dos meus alunos, através de textos, jogos (ramo que estou cada vez mais inclinado a usar em sala de aula), questões, atividades etc. e da própria produção dos alunos em sala de aula e fora dela.
Enfim, espero que quem leia e acompanhe de fato curta o que aqui está sendo produzido.
Hugo Monção